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IA já faz parte da gestão de mais da metade das escolas brasileiras. Mas como medir seu impacto na educação?

há 3 dias
3 min de leitura

Pesquisa TIC Educação 2025 revela avanço da inteligência artificial na gestão escolar. Dados mostram forte presença em comunicação e planejamento, enquanto relatório da UNESCO reforça a importância de avaliar resultados e garantir acesso de qualidade.


Por Perfilcomp, Farroupilha/RS

19 de outubro de 2026


A inteligência artificial já deixou de ser apenas uma possibilidade futura para a educação brasileira. Segundo a pesquisa TIC Educação 2025, realizada pelo Cetic.br, 52,7% dos gestores de escolas de ensino fundamental e médio declaram adotar IA em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.


O dado chama atenção não apenas pela presença da tecnologia, mas pelas atividades em que ela está sendo utilizada. Entre os gestores que adotam IA, 82,8% relatam seu uso para criar conteúdos audiovisuais, como imagens e apresentações; 79,9% para produzir comunicados e avisos; e 75,2% para organizar ou planejar atividades pedagógicas e administrativas.


A transformação também começa a alcançar atividades analíticas: 51% desses gestores declaram utilizar IA para analisar dados relacionados ao desempenho dos alunos, às práticas pedagógicas ou ao funcionamento das escolas.


Mas existe uma pergunta importante por trás desses números: o avanço tecnológico está sendo acompanhado por mecanismos capazes de avaliar seus resultados?


Da adoção à avaliação dos resultados

Outro indicador da TIC Educação 2025 ajuda a compreender esse desafio.


Entre os gestores de escolas com acesso à internet, 85,3% concordam que o uso de tecnologias digitais está integrado ao projeto político-pedagógico da instituição e 84,6% afirmam que está integrado ao currículo. Entretanto, o percentual que concorda que a escola monitora o impacto dessas tecnologias na aprendizagem por meio de avaliações é menor: 67,2%.


A diferença sugere que a integração da tecnologia ao planejamento escolar pode estar mais difundida do que o acompanhamento sistemático de seus efeitos. Isso não significa que as ferramentas digitais sejam ineficazes. Significa que, para compreender seu impacto, é necessário ir além dos indicadores de adoção.


O alerta internacional: tecnologia não é sinônimo de aprendizagem

Essa discussão também aparece no relatório global de educação da UNESCO, publicado em 2023.


O documento reconhece o potencial das tecnologias digitais para ampliar o acesso ao conhecimento, apoiar professores e melhorar a gestão educacional. Ao mesmo tempo, destaca que as evidências sobre seus efeitos na aprendizagem são variadas e dependem das condições em que as ferramentas são utilizadas.


A UNESCO também chama atenção para a desigualdade de acesso: segundo os dados apresentados no relatório, apenas 40% das escolas primárias do mundo tinham conexão à internet no período analisado.


O desafio mundial, portanto, não é simplesmente ampliar a quantidade de equipamentos ou plataformas disponíveis. É garantir que a tecnologia seja apropriada às necessidades dos estudantes, acompanhada de formação e avaliada por seus resultados.


Estudantes utilizam notebooks e materiais de estudo em uma biblioteca, ilustrando a integração das tecnologias digitais ao ambiente educacional e as novas possibilidades de aprendizagem colaborativa.
Estudantes utilizam notebooks e materiais de estudo em uma biblioteca, ilustrando a integração das tecnologias digitais ao ambiente educacional e as novas possibilidades de aprendizagem colaborativa.

O próximo desafio da educação brasileira

No Brasil, os dados de 2025 mostram uma transformação que já está acontecendo na gestão escolar. A IA auxilia na produção de materiais, organização de processos, comunicação e análise de informações.


Mas uma educação digital de qualidade exige uma estrutura mais ampla:

  • conectividade adequada

  • equipamentos disponíveis

  • sistemas confiáveis

  • segurança da informação

  • capacitação profissional

  • capacidade de avaliar o que efetivamente melhora a aprendizagem.


O avanço da IA abre novas possibilidades para escolas e redes de ensino. A questão, daqui para frente, será transformar essas possibilidades em benefícios educacionais demonstráveis.

Afinal, o futuro da tecnologia na educação não depende apenas de quantas escolas utilizam inteligência artificial, mas de como essa tecnologia contribui para ensinar e aprender melhor.



                                                                                                                                                                  


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